pastor no Rio de Janeiro
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Nosso mais grave problema consiste em não mais termos coração cristão. Explico: falamos como cristãos, temos gíria própria de cristãos, vamos a igrejas cristãs, cantamos como cristãos, temos jeito de cristãos. Mas não temos as motivações que seriam as naturais de cristãos.
Refiro-me à cosmovisão ou, em outros termos, aos pressupostos que temos assumido para nossa existência. Com isso, temos travestido, pelas formas acima (e muitas outras) a nossa vida de maneira a termos em nós a caricatura expressa de cristãos.O ser cristão não representa a fantasia, a forma. É, antes de tudo, a essência. Moisés, no monte, pôs sobre a face um véu para
que os filhos de Israel suportassem a glória de Deus que brilhava sobre ele. Será? Paulo nos dá uma dica interessante em 2 Coríntios 3.13, quando afirma que a finalidade (o pressuposto expresso) de Moisés era não permitir que os filhos de Israel percebessem quando o brilho cessasse. Ou seja, na dúvida, pensariam que ele sempre estava com o brilho no rosto. Emascarar Deus de forma que Ele próprio nunca se mostrou é utilizar de pressupostos não cristãos para definir o que é absoluta e unicamente bíblico-cristão.O problema não é sermos ou não literatos, apreciarmos ou não a escrita, a poesia, as artes, as expressões de humanidade. O problema consiste em pormos tudo na esfera adequada, sendo tudo permeado pela presença de Deus. Ou seja, se Ele não estiver naquilo, eu tampouco posso estar. Se Ele não apreciar aquilo, muito menos eu poderei apreciá-lo. Se Ele não comunga daquela idéia, quanto mais eu?
Gosto de ler Rubem Alves. Aprecio suas letras. Leio sua obra. Aprendo com ele. Reflito sobre seus pensamentos, geralmente profundos. Louvo a Deus por ele. Isso, como pessoa do meio literário que sou, como ser humano. Mas também leio bastante Machado de Assis, Schorske, Autran Dourado, Adorno, os gregos, Dante, etc e etc. Entendo suas pressuposições não-cristãs e por isso mesmo não posso considerá-los guias de minha espiritualidade, pois seus valores de mundo são deste mundo e não do nosso mundo. Infelizmente, nesse ponto, incluo Rubem Alves.
Precisamos saber no que cremos. Precisamos ser mais bereanos. No momento em que a informação não for essencialmente bíblico-cristã, preciso refletir, compreender e reter apenas o que for bom. Ou seja, as informações, não as verdades...Por essa simples falta de coração cristão e pela ineficácia em nosso filtro intelectual (afinal, a fé exige reflexão) é que nossos cultos parecem shows, nossas pregações parecem orientações psicanalíticas, nossos gabinetes pastorais parecem consultórios, nossos enfermos nunca ouviram falar que Jesus cura (!!), nossa música parece balada sem fim de culto a mim mesmo e ao irmão ao lado, nossos livros parecem material de auto-ajuda.

Precisamos entender que nem toda Teologia tem no "Teo" o mesmo "Teo" dos cristãos bíblicos. Precisamos entender que há muita Teologia que se preocupa mais em tentar desmentir a expressão bíblico-cristã que provar ao mundo que Deus é o que Ele próprio diz ser nas Escrituras. Incluo aí a Teologia Liberal dos evangélicos e a Teologia da Libertação dos católicos. Novos arianos, novos gnósticos. Precisamos ter alma afiada para identificá-los e refutá-los.
Lá vai o desabafo de um jovem pastor ("apenas" 43...) com antigas idéias. E a verborragia de um também jovem crítico literário, esse, sim, com novas idéias.
Que Deus os guarde e lhes dê paz.
O poema que está transcrito abaixo está eletronicamente disponível em
Delas, ficarei por enquanto apenas com a última sentença de Drummond no poema, quando ele encerra perguntando, após falar da realidade humana desse ser coletivo cognominado José: “para onde?”. Essa pergunta tem sido feita de maneira corrente a todos os seres humanos, mesmo aqueles que tenham se convencido a não mais fazê-la. E não a fazem... em aberto, mas continuam a fazê-la em secreto, apenas a si mesmos. E isso gera angústia, esquizofrenia e tudo mais.
A arca denota segurança e paz que não têm fim. No filme que traz esse mesmo nome como título, além disso, havia também a idéia mítica que o descobridor da arca passaria a ser possuidor de poderes quase incontroláveis, descomunais. Outro sonho humano: ter poderes e mais poderes, sempre para dominar e subjugar.
Mas há uma arca que é séria. Ela representa não o poder e a riqueza “de per si”. Ela representa, sim, poder e capacidades extra-humanas, transcendentes. O problema é que a verdadeira arca, eu diria Arca, tem em si mesma a plenitude do poder, do bem, da graça e da paz: como essas são coisas avessas à estrutura humana natural, precisamos entender qual a finalidade e a razão da busca por essa Arca.
Assim é nossa jornada. Vazios, passamos a vida atrás de soluções. São as arcas perdidas que procuramos sem detença por toda parte. Nada adianta! A Arca, porém, se mostra a nós. Ela não é uma das soluções imaginadas para nossa vida efêmera e transitória: é a Solução definitiva, de hoje e sempre, para este tempo e para o futuro eterno. Esse é o sabor e o resultado de encontrar a Arca, que é Jesus, o Filho de Deus, o nosso Salvador. Uma vez encontrados pela Arca, com a sensação de amparo e salvação permanentes, iniciamos nossa caminhada de outra forma. Não buscamos mais a Arca. Tendo-a conosco e em nós, passamos a ser procuradores de procuradores da Arca, aqueles que, como nós, antes, ainda estão procurando alguma arca perdida, sem saberem que, no fundo, buscam a Arca.